Nota: A história ficou sem título, porque simplesmente nada bom o suficiente me veio a cabeça. 

Para ler ouvindo: Dream Theater - These Walls ou Gotye ft. Kimbra - Somebody That I Used To Know


– Fernandaaaa! – eu me virei para por um rosto da voz que me chamava, mesmo já sabendo quem era. Quando me virei vi Rafael estava correndo em minha direção.

– Você viu quem acabou de anunciar uma turnê pelo Brasil? – ele me perguntou ofegante.

– Não. – disse entre um riso por ver a situação que Rafael se encontrava. – Quem?

– Aquela banda louca que você escuta…  Aquela que as músicas têm meia hora…

-Dream Theater? – eu pulei com o meu próprio grito.

- É essa si mesma. A revista deve me dar alguns ingressos, então um já é seu, como sempre…

TRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM…

- Meu sinal bateu, estou indo pra sala. – eu o abracei pela felicidade da noticia. – Não acredito, a gente vai no show do Dream Theater – dei um sorriso que apareceu todos os meus dentes e sai.

- Você vai voltar comigo? – Rafael perguntou quase que num grito.

-Mas é claro – eu já estava longe.

Esse é o Rafael, ultimo ano de jornalismo, trabalha na Rolling Stones e sempre consegue ingressos para os melhore shows em São Paulo, graças ao seu emprego. A gente se conheceu na república no meu primeiro ano na cidade e desde então ele tem sido como um irmão para mim. Apresentou-me de bares a contatos profissionais – não, eu não faço jornalismo, sou do quarto período de publicidade. Ele saiu da república ano passado, comprou um apartamento e é claro que eu fico mais lá do que na república.

TRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM…

Segundo sinal. Droga! Não vão me deixar entrar.

Read More

Já passou de injustiça

Já passa de nove meses que a destruição aconteceu, já faz mais de dois anos que a destruição começou. É como naquela música que diz que se eu soubesse antes, iria antes e acabar. Porque o final não foi e nem está sendo bonito, pelo menos não aqui. Eu ainda posso ver destroços e cacos por onde quer que eu vá. Cinco, dez minutos é o máximo que minha mente consegue ficar sem lembrar de tudo o que não aconteceu. Sim, o que não aconteceu, minha cabeça é meio louca assim mesmo.

Eu encosto minha cabeça no travesseiro e me pergunto quando essa tortura vai acabar, quando essa dor excruciante vai me deixar. Sim, porque já passou de injustiça, tudo isso se tornou impiedoso, cruel. De manhã, quando retomo minha consciência, por uma fração de segundos eu ainda possuo alguma gota de esperança, mas antes mesmo de abrir os olhos percebo que a dor continua lá, estacionada, em algum lugar do meu peito, fazendo os pulmões e coração se espremerem para que ela possa caber entre as costelas

Quando ela chegou, achei que com o tempo se cansaria de mim e procuraria outro alguém, mas ela não foi embora, continua no mesmo lugar. Só que diferente da primeira vez que a senti, agora ela está maior e continua a crescer, deve se alimentar das minhas de lembranças e excretar cacos. Deve se dar muito bem com o tempo, porque este só a fez ficar mais forte.

Só queria que pelo menos uma vez toda aquela baboseira de que o tempo leva tudo com ele funcionasse de verdade, porque, por aqui ele não está fazendo o trabalho devidamente.

Eu sempre disse que seria mais feliz sozinha. Teria meu trabalho, meus amigos. Mas ter mais alguém na sua vida o tempo todo? São mais problemas que o necessário. Ao que parece, estou nessa situação. Há um motivo para eu dizer que eu seria feliz sozinha. Não foi porque eu pensei que seria mais feliz sozinha. Foi porque eu pensei que se eu amasse alguém e depois acabasse. Talvez eu não conseguisse sobreviver. É mais fácil ficar sozinha. Porque, e se você descobrir que precisa de amor? E depois você não o tem. E se você gostar? E depender dele? E se você modelar sua vida em torno dele? E então, ele acaba. Você consegue sobreviver a essa dor? Perder um amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diference é que a morte termina. Isso pode continuar para sempre.

- Grey’s Anatomy

Seu cérebro, esse brincalhão

Alguma pessoas acreditam, que quando se tem um amor não correspondido, o melhor remédio é dar um tempo do mundo e se distanciar do tal “amor”.

Eu penso diferente, quando aconteceu comigo, eu queria mesmo é poder ver o desgraçado todos os dias, toda a hora, pra que entrasse na minha cabeça de uma vez por todas, que eu tinha me apaixonado por um idiota.

Estar longe da pessoa que se amou, faz a mente inventar uma mentira que deveria anestesiar a dor mas não anestesia, na verdade só faz piorar. Estar longe faz você pensar nos bons momentos quando você só deveria lembrar de tudo que te impediu de seguir em frente com a tal pessoa, faz você pensar nas palavras ditas e nas não ditas, faz você pensar que os defeitos já não são tão defeituosos assim. Já reparou o quanto alguém parece muito melhor quando está longe? É seu cérebro te protegendo da realidade, mas ele não entende que um pouco de realidade as vezes pode ser bom. Então como em uma brincadeira maliciosa seu cérebro se vinga pela dor que você causou ao seu coração e por aquelas milhares de borboletas mortas no estômago e faz você pensar em todas essas coisas.

Então, quando a sexta-feira chega, eu não fico feliz, e nem comemoro, como a maioria das pessoas, porque eu sei que o final de semana são os dias que o meu cérebro tira pra me pregar piadinhas sem graça e na maioria das vezes, dolorosas.

Eu sempre tenho razão

Eu sempre disse que sentimentos eram besteiras. Besteira para encher sua cabeça, para tirar a sua paz. E as pessoas sempre me repreendiam, dizendo que me esquivando de “amores”, eu estaria perdendo uma grande e importante parte da vida. Mas na verdade, eu nunca me incomodei, se isso significasse que meu coração e minha sanidade permanecessem intactos, fora da zona de risco. Eu estava feliz, minha vida não era completa, mas eu conseguia ser feliz assim mesmo. Você consegue imaginar o quão maravilhoso é ser feliz e não dever essa felicidade a ninguém?

Eu não costumo escutar os conselhos que me dão, mas outro dia minha amiga me disse que era bobeira fechar meu coração por causa de algum cara idiota que me fez sofrer – e essa foi a primeira vez que eu guardei um conselho, e pior, resolvi seguir.

Ai, eu me deixei envolver, começou sutilmente, primeiro eu dizia que era bom tê-lo por perto e que não tinha nada de mais. Mas não demorou muito até que eu admitisse que talvez eu sentisse algo por ele e agora eu começava a pensar se já não era a hora de me apaixonar de novo, porque fazia tanto tempo que eu não deixava isso acontecer, fazia tempo que eu não entregava o meu coração a alguém como eu entreguei a ele.

Eu provavelmente estava louca, mas parece que todo mundo esqueceu de me avisar e eu continuei com a babaquice.

Todo esse sentimento e olha até onde isso me levou, me trouxe até aqui, nesse buraco cheio de escuridão, fundo e frio. Onde ele me jogou.

Só mais uma coisa, lembre-se de adicionar na moral da história: eu estava certa.